quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Como aplicar castigos às crianças
O seu filho não arrumou o quarto como lhe pediu ou não fez os trabalhos de casa? Estabeleça uma consequência, de acordo com a idade da criança. Para os mais pequenos, não adianta ameaçar e dizer que vai proibi-lo de ver televisão durante um mês se ele não fizer a cama. "Para as crianças menores, os castigos e punições têm que ser curtos e aplicados na hora. No dia seguinte, ela já esqueceu o que se passou. E é preciso estabelecer punições que possam ser cumpridas. Não ameace aquilo que você não pode ou não vai fazer".
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Onde está o teu coração Martim?
- Então Martim? Martiiim, estamos todos à espera. - disse a professora já irritada. - Sempre com a cabeça no ar, nunca estás cá rapaz! - e todos se riram à gargalhada.
Uma vez mais o Martim não soube responder, ultimamente tinha muitas dificuldades na escola e tudo porque ao que parecia tinha uma doença: dificuldade em estar atento.
Ainda se a mãe lhe comprasse os comprimidos que a professora tinha mandado... Mas a mãe não tinha dinheiro, tinha muito pouco e não chegava para tudo, como ela dizia.
O Martim tinha consciencia disso, a mãe não parava de o repetir.
O pai não pagava a pensão, nem ajudava de maneira nenhuma, o Martim sabia disso.
Sabia porque a mãe achou que tinha mesmo que lhe contar, porque o Martim tinha de saber a verdade. Tinha de saber o que o pai era, afinal de contas a mãe era a vitima daquela história toda, ah pois, porque o pai do Martim não era só mau pai, tinha sido um péssimo marido.
A cabeça do Martim andava a mil, desde o divórcio dos pais, tudo tinha mudado e o Martim já nem podia brincar.
Tinha de ajudar a mãe e apoiá-la. Sim, apoiá-la muito porque ele agora é que era o homem da casa, como a mãe dizia. E o Martim pensava: "Ena, que fixe, eu é que mando, e só tenho oito anos". E o entusiasmo rapidamente se desvanecia: "Sou o homem da casa e não consigo dar dinheiro à mãe... e tenho medo... a mãe agora quer sempre que eu durma com ela, mas se vierem ladrões, eu tenho medo... mas ela quer que eu durma com ela. A mãe diz que eu é que quis, mas eu sei que não. Eu sei que não porque eu adoro o meu quarto, quando eu ainda dormia na minha cama logo a seguir ao meu pai ir viver para a outra casa, fechava os olhos e fingia que nada tinha acontecido.
Por isso eu sei que não fui eu que quis ir dormir para a cama da mãe. Só não posso é dizer-lhe isso. já tentei e ela ficou triste e disse que eu já não gostava dela.
Até perguntou se depois de tudo o que tem feito por mim eu afinal prefiro o meu pai?"
O Martim ainda gostava do pai... e muito. Divertia-se tanto quando aos fins de semana de quinze em quinze dias estavam juntos. Fazia-o lembrar quando moravam juntos.
Era tão bom... às vezes quando estava com o pai conseguia esquecer todos os problemas lá da casa da mãe e voltar a ser criança... mas sabia que quando o fim de semana acabasse, tinha que voltar a ser o homem da casa. E tinha também de fingir que o fim de semana não tinha sido assim tão bom. Não queria deixar a mãe triste por estar tão feliz.
Quando o Martim entrou na escola e o pai o levou no primeiro dia. Estava tão nervoso mas o pai tinha-lhe explicado que era normal sentir-se assim e que ia correr tudo bem.
Pensando bem era tão estranho... como é que agora tinha tantas dificuldades na escola se no primeiro e segundo ano tinha sido tão bom aluno... Era capaz de ter sido um virus, aquela doença do défice da atenção. Curioso ter apanhado na mesma altura que os pais se separaram, coicidencia talvez.
Uma vez mais o Martim não soube responder, ultimamente tinha muitas dificuldades na escola e tudo porque ao que parecia tinha uma doença: dificuldade em estar atento.
Ainda se a mãe lhe comprasse os comprimidos que a professora tinha mandado... Mas a mãe não tinha dinheiro, tinha muito pouco e não chegava para tudo, como ela dizia.
O Martim tinha consciencia disso, a mãe não parava de o repetir.
O pai não pagava a pensão, nem ajudava de maneira nenhuma, o Martim sabia disso.
Sabia porque a mãe achou que tinha mesmo que lhe contar, porque o Martim tinha de saber a verdade. Tinha de saber o que o pai era, afinal de contas a mãe era a vitima daquela história toda, ah pois, porque o pai do Martim não era só mau pai, tinha sido um péssimo marido.
A cabeça do Martim andava a mil, desde o divórcio dos pais, tudo tinha mudado e o Martim já nem podia brincar.
Tinha de ajudar a mãe e apoiá-la. Sim, apoiá-la muito porque ele agora é que era o homem da casa, como a mãe dizia. E o Martim pensava: "Ena, que fixe, eu é que mando, e só tenho oito anos". E o entusiasmo rapidamente se desvanecia: "Sou o homem da casa e não consigo dar dinheiro à mãe... e tenho medo... a mãe agora quer sempre que eu durma com ela, mas se vierem ladrões, eu tenho medo... mas ela quer que eu durma com ela. A mãe diz que eu é que quis, mas eu sei que não. Eu sei que não porque eu adoro o meu quarto, quando eu ainda dormia na minha cama logo a seguir ao meu pai ir viver para a outra casa, fechava os olhos e fingia que nada tinha acontecido.
Por isso eu sei que não fui eu que quis ir dormir para a cama da mãe. Só não posso é dizer-lhe isso. já tentei e ela ficou triste e disse que eu já não gostava dela.
Até perguntou se depois de tudo o que tem feito por mim eu afinal prefiro o meu pai?"
O Martim ainda gostava do pai... e muito. Divertia-se tanto quando aos fins de semana de quinze em quinze dias estavam juntos. Fazia-o lembrar quando moravam juntos.
Era tão bom... às vezes quando estava com o pai conseguia esquecer todos os problemas lá da casa da mãe e voltar a ser criança... mas sabia que quando o fim de semana acabasse, tinha que voltar a ser o homem da casa. E tinha também de fingir que o fim de semana não tinha sido assim tão bom. Não queria deixar a mãe triste por estar tão feliz.
Quando o Martim entrou na escola e o pai o levou no primeiro dia. Estava tão nervoso mas o pai tinha-lhe explicado que era normal sentir-se assim e que ia correr tudo bem.
Pensando bem era tão estranho... como é que agora tinha tantas dificuldades na escola se no primeiro e segundo ano tinha sido tão bom aluno... Era capaz de ter sido um virus, aquela doença do défice da atenção. Curioso ter apanhado na mesma altura que os pais se separaram, coicidencia talvez.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Alzheimer
O desenvolvimento e
envelhecimento do corpo humano trazem consigo todas as alterações a ele
inerente. Com o passar do tempo e o avanço da idade é esperado que comecem a
aparecer vários tipos de doenças, como por exemplo o Alzheimer. Esta doença é
um tipo de demência que pode ser pré-senil ou senil e é provocada por morte de
células cerebrais, que dão origem a atrofia extensa de partes do córtex
cerebral. Tem por norma uma evolução lenta e caracteriza-se principalmente por perturbações
progressivas da memória, associadas a um grande desconforto na sua fase inicial
e intermediária. Nestas fases o paciente tenta por
vezes ocultar os sintomas, manifestando alterações de temperamento
incompreensíveis aos demais, já na fase adiantada a pessoa deixa de
apresentar condições de se aperceber sequer que está doente, pela inexistência
de auto-crítica. A evolução dos sintomas reflecte-se entre 5 e 15% na consciência
de si próprio e dos outros por cada ano de doença, com um período em média de
oito anos desde o seu início até ao seu último estágio. Mas a doença de
Alzheimer não se trata apenas de uma falha crescente de memória, também afecta
a consciência, a linguagem, as áreas afectivas e psicomotoras provocando
incapacidade para o trabalho e convívio social, devido a dificuldades para
reconhecer pessoas próximas e objectos. Um paciente com doença de Alzheimer
está constantemente a perguntar a mesma coisa, deixando transparecer a
incapacidade de fixar algo novo. As palavras são esquecidas, as frases trocadas
e muitas permanecem sem finalização. O progresso
da doença faz com que se dêem alterações significativas da personalidade, o
doente deixe de reconhecer os familiares ou até mesmo a não realizar lides
simples como efectuar a sua própria higiene pessoal ou vestir-se, acabando por,
em última fase, precisar de ajuda para toda e qualquer tarefa, perdendo inteiramente
a autonomia.
A origem desta doença é
orgânica, nomeadamente por afecção ou lesão cerebral e apresenta uma atrofia
generalizada, com perda neuronal específica em certas áreas do hipocampo, mas
também em regiões parieto-occipitais e frontais. Os problemas de memória,
sobretudo a recente, são frequentemente os primeiros sintomas, mas á medida que
a doença avança a deterioração intelectual e emocional torna-se ainda mais
global e severa, podendo gerar outras sintomatologias como a depressão,
manifesta por instabilidade emocional e choros. Delírios e outros sintomas de
psicose são também frequentes, embora difíceis de avaliar nas fases finais da
doença, devido à total perda de noção de lugar e de tempo e da deterioração
geral. Apesar de ser uma doença associada à terceira idade por surgir
tendencialmente após os 65 anos, são identificados pacientes muito mais jovens,
com 40 anos ou menos, tendo um muito provável motivo genético. Assim, é
possível que dentro da mesma família possa surgir mais que um caso, no entanto
não se confirma a hereditariedade. Estas inconclusões levam a que não exista forma
de prevenção, tão pouco uma “cura”, apenas medicamentos, com dose personalizada,
ajustada a cada paciente, que inibem a enzima responsável pela degradação da acetilcolina
considerada a principal responsável da doença de Alzheimer. Este tratamento tem
em vista retardar o máximo possível esta doença irreversível e irrecuperável. Outra das consequências desta doença é o modo como afecta
os familiares próximos do doente, que sofrem por assistir impotentes ao
declínio mental e físico de quem amam. Outros efeitos podem ser tanto de ordem
emocional, sobretudo pelo acompanhamento gerar cansaço e depressão, mas também
dificuldades económicas inerentes às despesas elevadas com medicamentos. Mesmo
sendo uma doença incurável é preciso que os cuidadores saibam que há sempre
algo a fazer, sobretudo no que respeita a melhorar a qualidade de vida do
doente.
terça-feira, 8 de abril de 2014
Comportamentos agressivos em crianças e adolescentes
A perturbação do comportamento infantil e juvenil é uma patologia que tem vindo a evidenciar-se nas últimas gerações e que com ela traz consequências, de peso extremo, sociais e pessoais consideradas irreversíveis. Esta conduta não é nova, mas com a evolução e a enorme preocupação com os direitos humanos fundamentais, sobretudo os das crianças, seria de esperar que todas as condições estivessem reunidas para um desenvolvimento saudável tanto físico como psicológico, bem como um crescimento satisfatório nas crianças do mundo contemporâneo. Considera-se sobretudo necessário que o nascimento de um filho seja resultado de um projecto do casal, apesar disso é frequente observar que o dispêndio de energia inerente ao projecto parental educativo, assim como a realidade do nascimento e crescimento de uma criança com as implicações e obrigações que tal acarreta, ultrapassam muitas vezes a disponibilidade parental. A falta de regras e orientação básicas no construir do caminho evolutivo de uma criança é representativo da volubilidade parental que desencadeia a insegurança e baixa auto-estima na criança. Para se falar de uma criança nunca a podemos descrever isoladamente, sendo preciso fazê-lo no contexto em que ela se insere e onde tem crescido. Mesmo que as crianças possam não ser inofensivas, são inocentes e a sua culpabilidade e responsabilidade tem de ser partilhada por quem as educa ou educa mal. As crianças protestarem e discutirem quando algo lhes é indeferido, é uma saudável e sintomática da necessidade de independência e autonomia, as birras são uma manifestação que caracteriza um desenvolvimento psico-afectivo normal ao contrário de birras incontroláveis, assim como a agressividade excessiva e os estados de agitação, pela disrupção que provocam. É preciso dizer que dificuldade no exercício da função não se pode confundir com incapacidade parental. A satisfação das necessidades educacionais, alimentares, psicológicas e afectivas da criança está directamente na proporção da formação de carácter do indivíduo em causa, assim como a gravidade dos comportamentos perturbados está também directamente ligada à precocidade dos primeiros comportamentos desviantes. E se por um lado está a falta de amor, por outro encontramos também o chamado “amor demais” que leva à super-protecção, impedindo a criança de experimentar e vivenciar as mais diversas tarefas e com elas crescer. Se a criança não é confrontada com situações de responsabilidade e não sofre a consequência das suas escolhas, dá lugar a condutas instintivas e responde com impulsividade a qualquer situação que lhe provoque alguma ameaça ou risco de perder a sua segurança e comodidade. A vontade dos pais em quebrar padrões rígidos, origina a compensarem os filhos pelo que não tiveram. À medida que cedem, perdem não só o controlo do que se passa, mas a firmeza e a certeza de a qualquer momento conseguirem resgatar a situação. O esforço que fazem para evitar sentimentos de frustração na criança aliado à indefinição de limites leva-a à incapacidade de compreender que não pode ter tudo ou que para ter é preciso esperar, desejar, imaginar ou criar. O facilitismo na velocidade com que a exigência é satisfeita e o capricho saciado, oferece aos mais pequenos uma imagem distorcida da realidade, que os desprepara para a vida adulta, que os engana e os fragiliza, tornando-as crianças vegetativas e inseguras, e lhes cria expectativas falsas de conseguirem alcançar objectivos ambiciosos sem esforço. São as rotinas, o respeito, os limites que por um lado (pais) se impõem e por outro lado (filho) se respeitam, o diálogo e liberdade de expressão, o suporte afectivo, o mimo e/ou o elogio que fazem com que inicialmente a criança e posteriormente o adolescente saiba que tem um lugar no mundo, que é o lugar especial que tem naquela família.
Sílvia Silva - Psicologa Clínica
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Síndrome do Pânico
Com
um aumento galopante no que se refere ao número de padecentes, o Síndrome do
Pânico é um tipo de ansiedade que pode levar a alterações significativamente
negativas na rotina diária, assim como na qualidade de vida pessoal e social de
quem sofre com esta patologia. Caracterizado por um estado de ansiedade que vai
crescendo, este quadro vai em simultâneo tornando-se cada vez mais irracional,
por se tratar de fobias ou medos de algo impalpável e invisível. A ansiedade
faz parte do ser humano e trata-se de uma reacção biológica a momentos que
antecedem perigo real ou hipotético. No entanto quando se vivem episódios de
extrema ansiedade, estamos perante situações limite, conhecidas como ataques de
pânico. Este síndrome tem geralmente inicio em jovens adultos, sobretudo na
faixa etária entre os 25 e os 30 anos e atinge sobretudo as mulheres, em mais
50 por cento que os homens. Sendo considerada uma doença do foro psicológico
pela OMS (Organização Mundial de Saúde), tem normalmente a ela associada a
depressão, as drogas, o alcoolismo e conclui-se ainda, que os indivíduos que
sofrem com transtorno do pânico revelam estatisticamente uma maior incidência
nas tentativas de suicídio. As crises de pânico são variáveis na sua duração,
podendo manter-se apenas alguns minutos ou horas a fio, e tem como principais
sintomas batimentos cardíacos rápidos, sensação de vazio no estômago,
contracções musculares, medo de perder o controlo, transpiração e aperto no
tórax, para além da sensação de medo intenso e irracional de algo, como a morte
imediata por exemplo. Após uma primeira crise sobre a qual aparentemente não se
percebe o factor desencadeador, o que muitas vezes acontece é o indivíduo
começar a associar o local onde se reproduziu essa crise inicial ao motivo em
si. Por exemplo se começa por ter uma crise de pânico num café, sempre que a
partir daí se dirigir a um café irá associar esse local ao ataque de pânico, o
que pode dar origem a fobia. São chamados os factores externos. Quando por
outro lado se sente com alguma sensação corporal estranha que identifique como
algo que sentiu aquando de uma crise, isso por si só pode realmente despoletar
um ataque de pânico. É o que se considera medo do medo. E são estes últimos os
factores internos que podem dar origem a episódios de transtorno. Os indivíduos
com este síndrome podem enfrentar estas circunstâncias pontualmente, mas isto
também pode acontecer com grande frequência. Nesse caso pode realmente
transtornar a vida da pessoa e alterar-lhe as experiencias sociais pela
vergonha, estigma social e pelo afastamento que a própria doença promove,
resultando de tudo isso um isolamento inicial, que leva ao medo de estar com
outras pessoas, em lugares amplos (que não a sua casa, acolhedora e
protectora). Por ser uma patologia do foro psicológico ou psiquiátrico
necessita imperativamente de tratamento. Assim, quem se encontra nestas
condições deve sempre procurar ajuda especializada. O mais aconselhado para
situações deste tipo é um acompanhamento específico a nível psicológico, em que
o tratamento é feito através de terapia cognitivo-comportamental. Este é um
tipo de terapia activa que consiste em traços gerais, em ensinar ao paciente
estratégias de respiração entre outras, que o ajudem a aprender a
auto-controlar-se. Pode consistir também na exposição gradual e repetida ao
elemento fóbico, ou seja, ao que motiva o inicio das crises, para que a
habituação crescente à razão do medo, provoque maior conhecimento relativo ao
mesmo e o individuo consiga assim expectar esse estado com alguma segurança
permitindo-lhe um maior auto-controle, ou não conseguindo antecipar o que o
espera, aprenda a lidar com os acontecimentos e encontrar estratégias para
resolver os mesmos. Em qualquer dos casos o acompanhamento, psicológico é
aconselhado, não devendo por nenhuma razão ser alterado ou interrompido, por
daí poder resultar um agravamento da doença.
Sílvia Silva
Psicóloga Clinica
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Síndrome de Burnout
A dinâmica do
mundo moderno favoreceu o aparecimento de muitas doenças e transtornos mentais,
em especial no ambiente de trabalho. Para além da selva em que o mercado de
trabalho se transformou e o esforço que cada um de nós tem que fazer para
manter o seu emprego, a própria sociedade consumista que privilegia os cargos
ou postos ocupados, acaba por avaliar os indivíduos pelas profissões que cada
um possui.
O Síndrome de
Burnout é um fenómeno psicossocial directamente relacionado com o mundo laboral
e refere-se a uma reacção ao estado de exaustão e diminuição de interesse
relativo ao trabalho, em que, o que a este diz respeito deixa de ter
importância e qualquer esforço pessoal parece ser inútil. Trata-se de uma fadiga
extrema que resulta de uma tensão emocional crónica associado a um período de
esforço excessivo com intervalos demasiadamente curtos para recuperação. Burnout é um termo inglês: burn=queima
e out=exterior, sugerindo assim
que a pessoa com esse tipo de stresse consome-se física e emocionalmente,
passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço. Alguns dos
factores agregados ao Síndrome de Burnout podem ser dificuldades de
relacionamento com chefes, colegas ou clientes, conflitos entre trabalho e
família, pouca autonomia no desempenho profissional, sentimento de
desqualificação ou de falta de cooperação em equipa. Esta síndrome
é uma das consequências mais marcantes do stresse profissional e caracteriza-se
não só por exaustão emocional, mas também por avaliação negativa de si mesmo,
depressão e uma despersonalização que leva à insensibilidade com relação ao que
o rodeia. Estes sintomas emocionais podem transformar-se em problemas físicos como
fadiga crónica, dores de cabeça, insónias, úlceras gástricas, hipertensão
arterial, taquicardia, arritmia, perda de peso, dores musculares e de coluna,
alergias e lapsos de memória. E também em alterações dos hábitos: maior consumo
de café, álcool e medicamentos, faltas no trabalho, impaciência, sentimentos de
impotência, incapacidade de concentração e baixa tolerância à frustração. Em extremo podem ter comportamentos
paranóicos tais como agressividade ou tentativas de suicidio. As pessoas
que na sua vida têm profissões predominantemente relacionadas a um contacto
interpessoal mais exigente, com frequentes e intensas interacções,
emocionalmente densas, tais como médicos; enfermeiros; assistentes sociais;
funcionários públicos, polícias ou bombeiros e todos os profissionais que interagem de
forma activa com pessoas, que cuidam ou solucionam problemas das mesmas e de
quem se espera uma atitude, no mínimo solidária, têm uma maior propensão a
serem atingidas por este problema. Não há nada mais desgastante e consumidor de
energia humana do que os conflitos, tanto internos como externos. Apesar disso,
a solução não pode passar pelo isolamento e a evitação do contacto com os outros
para prevenir conflitos, porque tal atitude pode causar o sentimento de solidão.
As pessoas padecentes de Burnout são os chamados: excelentes funcionários. São
pessoas extremamente dedicadas às instituições que representam, que fazem
imensas horas extra para respeitar prazos, são pessoas altamente motivadas e
exigentes consigo e com os outros, perfeccionistas e rígidas. No entanto estar
envolvido em relacionamentos, tarefas e ambientes carregados de stresse por uma
quantidade de tempo superior ao que cada um pode suportar ou consegue lidar
pode transformar a pessoa em uma espécie de autómato. As características de
humanização e ajuda vão decrescendo, revelando-se em demonstrações grosseiras e
negativas para com as pessoas com quem lida no local de trabalho podendo
estender-se ao contexto particular. O que acontece é que para não entrar em
colapso a pessoa passa a agir automaticamente sem qualquer envolvimento emocional,
o que resulta desastroso na produtividade e no clima organizacional. É
importante perceber que Síndrome de Burnout não é o mesmo que depressão ou
simples stresse. Enquanto nos depressivos percebe-se uma maior apatia e
sentimentos de culpa e perda, quem sofre de Síndrome de Burnout caracteriza-se
sobretudo por desapontamento, cansaço e tristeza, perfeitamente identificado e
associados ao trabalho.
Como forma de contornar este problema há que, antes de
mais, admitir que algo não está bem consigo mesmo, sobretudo se identifica
vários dos sintomas aqui descritos e perceber que o problema ainda que tenha
partido de outro/s passou a fazer parte de si. Assim deixam-se algumas
sugestões de estratégias para lidar com o stresse: a) Realizar actividades
de relaxamento; b) Organizar o tempo e decidir quais são as prioridades; c) Manter
uma dieta equilibrada e fazer exercício físico; d) Discutir os problemas com os
colegas de profissão; e) Promover acções de formação sobre gestão de conflitos.
Em
casos extremos, aconselha-se a ajuda profissional.
Sílvia
Silva – Psicóloga Clínica
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Jovens violentos
A violência na adolescência é cada vez
mais comum, tornando por isso também cada vez mais comuns as noticias quase
diárias de crianças e adolescentes que sofrem ou sofreram bullying. A partir
daí muito se tem dito, estudado e feito para perceber o bullying e as suas vítimas.
O perfil das vítimas, os traumas que ficam, como lidar com as consequências dos
que sofrem às mãos de adolescentes agressivos que para se exibirem ou se
armarem em fortes transformam a vida de alguém sem se darem conta de tal.
Então e os agressores? Os tais jovens
violentos que gozam, criticam, humilham, batem e magoam os outros… será que são
menos vítimas?
Cientificamente consegue-se perceber
que a agressividade está directamente ligada à imaturidade. Tanto à imaturidade
física, no que diz respeito às estruturas do cérebro, como à imaturidade
psicológica, no que diz respeito aos comportamentos e atitudes.
Dito de outro modo, sabemos que uma
criança ou jovem que não foi exposto a desafios ou frustrações suficientes, não
desenvolve estratégias de resolução de problemas. A super proteção familiar, a
permissividade e a rápida cedência às exigências dos mais novos, fá-los
acreditar que a vida é muito mais fácil do que os adultos querem fazê-los
acreditar. Jovens que não sejam contrariados, que não pensem pela sua própria
cabeça ou que não tenham consequências dos seus actos irreflectidos consideram
que não têm que se esforçar, porque da maneira como agem a vida corre-lhes bem.
Este contexto contribui para a
imaturidade psicológica, para a dificuldade em resolver problemas diários e até
mesmo pequenos conflitos. A nível físico (da estrutura do cérebro) as células
trabalham pouco e portanto não se desenvolvem. Quando a nível cerebral as
estruturas são imaturas, perante uma adversidade, será difícil responder de
forma madura e ponderada.
A nível social encontram-se ainda
outras respostas para a agressividade nos jovens. A necessidade de se
integrarem num grupo, de serem reconhecidos pelos seus pares e de eles próprios
não serem uma vez mais excluídos (quando em grande parte dos casos o são no seu
seio familiar) pode explicar este tipo de atitudes.
Se considerarmos que os jovens nos
dias de hoje são mais imaturos a todos os níveis, porque os pais têm cada vez menos
autoridade, estão cada vez mais frágeis, com maior dificuldade em contrariar,
em dizer não e em exigir-lhes o cumprimento de tarefas simples, é natural que
estes mesmos jovens tenham mais tendência para serem agressivos.
Para que essa agressividade seja clínicamente
diagnosticada como uma patologia é necessário que o jovem responda a
determinadas características ou critérios que serão avaliados pelo profissional
(psicólogo clínico) em contexto terapêutico.
É no entanto muito importante
compreender o histórico de vida desse jovem, perceber o seu contexto familiar e
social para poder ir ao seu encontro.
Isto não invalida de modo algum que o
jovem seja responsabilizado pelos seus actos, mas mais que o considerar como um
caso perdido há que o ouvir e entender que quando um jovem agride, mais do que
fazê-lo por maldade fá-lo na maioria das vezes porque sofre, porque não tem
apoio, não tem mimo, não tem orientação e precisa de deitar cá para fora essa
mágoa.
Sílvia Silva - Psicologa Clinica
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